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	<title>Comentários sobre Luiz Gonzaga de Carvalho</title>
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	<description>Cursos e Palestras sobre Filosofia, Religiões e Assuntos Afins</description>
	<pubDate>Fri, 12 Mar 2010 00:16:38 +0000</pubDate>
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		<title>Comentário para Religiões do Mundo I - 20ª Aula por Augusto</title>
		<link>http://luizgonzagadecarvalho.com/2009/11/24/religioes-do-mundo-i-20a-aula/#comment-931</link>
		<dc:creator>Augusto</dc:creator>
		<pubDate>Thu, 11 Mar 2010 21:04:00 +0000</pubDate>
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		<description>Acho que o Wesley é o próprio pai do Professor Luiz Gonzaga que, acompanhando com zelo paternal as discussões intelectuais travadas neste site, resolveu defender o filho de comentários que julgou ofensivos do Leandro e adotou o nome Wesley em homenagem ao fundador da Igreja Metodista John Wesley(a quem certamente admira) e também para evitar comentários do tipo: "Nossa! Um marmanjo como o Sr. Luiz Gonzaga ainda precisa ser defendido pelo pai?"Ele(o "Wesley") vai certamente negar, mas essa é a minha opinião. Sou bom em reconhecer psicologicamente as pessoas, mesmo quando adotam outras identidades. E a psicologia do Wesley aparenta ser idêntica ao do pai do professor Luiz Gonzaga. Inclusive nos bordões. Muito sucesso para ambos. Pai e filho. Que Deus e Jesus os abençõe.</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Acho que o Wesley é o próprio pai do Professor Luiz Gonzaga que, acompanhando com zelo paternal as discussões intelectuais travadas neste site, resolveu defender o filho de comentários que julgou ofensivos do Leandro e adotou o nome Wesley em homenagem ao fundador da Igreja Metodista John Wesley(a quem certamente admira) e também para evitar comentários do tipo: &#8220;Nossa! Um marmanjo como o Sr. Luiz Gonzaga ainda precisa ser defendido pelo pai?&#8221;Ele(o &#8220;Wesley&#8221;) vai certamente negar, mas essa é a minha opinião. Sou bom em reconhecer psicologicamente as pessoas, mesmo quando adotam outras identidades. E a psicologia do Wesley aparenta ser idêntica ao do pai do professor Luiz Gonzaga. Inclusive nos bordões. Muito sucesso para ambos. Pai e filho. Que Deus e Jesus os abençõe.</p>
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		<title>Comentário para Religiões do Mundo I - 14ª Aula por Bianca</title>
		<link>http://luizgonzagadecarvalho.com/2009/08/04/religioes-do-mundo-i-14a-aula/#comment-930</link>
		<dc:creator>Bianca</dc:creator>
		<pubDate>Thu, 11 Mar 2010 14:59:32 +0000</pubDate>
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		<description>Oi Roseli, 

P/ nao dar trabalho para o professor, as aulas de psicologia dadas nos Estados Unidos ano passado, nos podemos ter acesso no site dessas aulas, nao sei se foram gravadas. Se nao, ha alguma forma de eu ter acesso aos conteudos dados? 
Obrigada
Bianca</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Oi Roseli, </p>
<p>P/ nao dar trabalho para o professor, as aulas de psicologia dadas nos Estados Unidos ano passado, nos podemos ter acesso no site dessas aulas, nao sei se foram gravadas. Se nao, ha alguma forma de eu ter acesso aos conteudos dados?<br />
Obrigada<br />
Bianca</p>
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	<item>
		<title>Comentário para Conceitos Fundamentais da Psicologia - Curso de Olavo de Carvalho por Bianca</title>
		<link>http://luizgonzagadecarvalho.com/2009/07/06/conceitos-fundamentais-da-psicologia-curso-de-olavo-de-carvalho/#comment-929</link>
		<dc:creator>Bianca</dc:creator>
		<pubDate>Thu, 11 Mar 2010 14:56:38 +0000</pubDate>
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		<description>Oi professor, 

Este curso de psicologia dado ano passado nos Estados Unidos, as aulas foram gravadas? Como faco para ter acesso a esse material? Nao encontrei no site.

Muito obrigada
Bianca</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Oi professor, </p>
<p>Este curso de psicologia dado ano passado nos Estados Unidos, as aulas foram gravadas? Como faco para ter acesso a esse material? Nao encontrei no site.</p>
<p>Muito obrigada<br />
Bianca</p>
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	</item>
	<item>
		<title>Comentário para Religiões do Mundo I - 6ª Aula por Bianca</title>
		<link>http://luizgonzagadecarvalho.com/2008/12/24/religioes-do-mundo-i-6a-aula/#comment-923</link>
		<dc:creator>Bianca</dc:creator>
		<pubDate>Sun, 14 Feb 2010 10:47:56 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://luizgonzagadecarvalho.com/?p=131#comment-923</guid>
		<description>Ola Prof. Luiz Gonzaga, 

Estou fazendo uma viagem pelo mundo com meu marido desde julho/09 e levei comigo as gravacoes das aulas pelo site. Que excepcional! Cito bastante voce no blog que tenho, pois como estou conhecendo de perto algumas culturas, sao seus CDs que tem me ajudado a entende-las! Ja passamos pela Africa, estamos fechando o Sudeste Asiatico e agora a caminho da India. Fecharemos com o Oriente Medio e em julho, retornamos a Curitiba, quando finalmente poderei comparecer as suas aulas pessoalmente. 
Confesso que o tema pos morte do Budismo e Hinduismo, foi um soco no estomago, fiquei quase louca por um periodo pensando nisso, agora estou melhor! Mas com muitas duvidas ainda na cabeca... que aos poucos quero ir respondendo. 
Um grande abraco
Bianca</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Ola Prof. Luiz Gonzaga, </p>
<p>Estou fazendo uma viagem pelo mundo com meu marido desde julho/09 e levei comigo as gravacoes das aulas pelo site. Que excepcional! Cito bastante voce no blog que tenho, pois como estou conhecendo de perto algumas culturas, sao seus CDs que tem me ajudado a entende-las! Ja passamos pela Africa, estamos fechando o Sudeste Asiatico e agora a caminho da India. Fecharemos com o Oriente Medio e em julho, retornamos a Curitiba, quando finalmente poderei comparecer as suas aulas pessoalmente.<br />
Confesso que o tema pos morte do Budismo e Hinduismo, foi um soco no estomago, fiquei quase louca por um periodo pensando nisso, agora estou melhor! Mas com muitas duvidas ainda na cabeca&#8230; que aos poucos quero ir respondendo.<br />
Um grande abraco<br />
Bianca</p>
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	<item>
		<title>Comentário para Religiões do Mundo I por Samuel Felix dos Santos</title>
		<link>http://luizgonzagadecarvalho.com/2008/11/14/religioes-do-mundo-i/#comment-919</link>
		<dc:creator>Samuel Felix dos Santos</dc:creator>
		<pubDate>Thu, 04 Feb 2010 17:01:51 +0000</pubDate>
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		<description>A qualidade do trabalho do Luiz Gonzaga de Carvalho e do Olavo de Carvalho são INCRÍVEIS.
Sou da Bahia e não estou acostumado a coisas tão boas. 
Obrigado mesmo viu!!!</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>A qualidade do trabalho do Luiz Gonzaga de Carvalho e do Olavo de Carvalho são INCRÍVEIS.<br />
Sou da Bahia e não estou acostumado a coisas tão boas.<br />
Obrigado mesmo viu!!!</p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>Comentário para Religiões do Mundo I - 20ª Aula por Alisson Felipe</title>
		<link>http://luizgonzagadecarvalho.com/2009/11/24/religioes-do-mundo-i-20a-aula/#comment-917</link>
		<dc:creator>Alisson Felipe</dc:creator>
		<pubDate>Sat, 30 Jan 2010 22:19:21 +0000</pubDate>
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		<description>Estou acompanhando com muito interesse as aulas do prof Gonzaga. Alguém saberia dizer o porquê das religiões de matriz africana não terem sido abordadas no curso?</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Estou acompanhando com muito interesse as aulas do prof Gonzaga. Alguém saberia dizer o porquê das religiões de matriz africana não terem sido abordadas no curso?</p>
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	</item>
	<item>
		<title>Comentário para Religiões do Mundo I - 19ª Aula por José Santini</title>
		<link>http://luizgonzagadecarvalho.com/2009/10/06/religioes-do-mundo-i-19a-aula/#comment-915</link>
		<dc:creator>José Santini</dc:creator>
		<pubDate>Fri, 29 Jan 2010 01:16:55 +0000</pubDate>
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		<description>Caio,

Você toca numa questão fundamental, que eu custei a compreender a princípio. Sem dúvida, trata-se de um abrégé das religiões, mais que de uma análise comparativa; contudo, tem suportado com êxito considerações elementares de Cosmologia e Metafísica, o que, na minha opinião, convém melhor ainda que o estudo propriamente dito de Religiões Comparadas. Talvez, devido aos problemas intrínsecos da disciplina, muitos estudiosos - e eu diria mais: sobretudo os estudiosos mais acadêmicos - têm preferido nominá-la História das Religiões. 

Obrigado,
Santini</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Caio,</p>
<p>Você toca numa questão fundamental, que eu custei a compreender a princípio. Sem dúvida, trata-se de um abrégé das religiões, mais que de uma análise comparativa; contudo, tem suportado com êxito considerações elementares de Cosmologia e Metafísica, o que, na minha opinião, convém melhor ainda que o estudo propriamente dito de Religiões Comparadas. Talvez, devido aos problemas intrínsecos da disciplina, muitos estudiosos - e eu diria mais: sobretudo os estudiosos mais acadêmicos - têm preferido nominá-la História das Religiões. </p>
<p>Obrigado,<br />
Santini</p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>Comentário para Religiões do Mundo I - 20ª Aula por Roseli Podbevsek</title>
		<link>http://luizgonzagadecarvalho.com/2009/11/24/religioes-do-mundo-i-20a-aula/#comment-914</link>
		<dc:creator>Roseli Podbevsek</dc:creator>
		<pubDate>Sun, 24 Jan 2010 14:09:40 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://luizgonzagadecarvalho.com/?p=268#comment-914</guid>
		<description>Olá Fábio,
Optamos por utilizar o Pagseguro para as transações de assinaturas do site e só podemos cadastrar o assinante após a liberação feita pelo mesmo.
As vias de pagamento (cartão, débito automático ou boleto) obedecem prazos diferentes de liberação. Vamos aguardar até amanhã, provavelmente deve liberar, ok?
Agradecemos pela sua assinatura
Abraço
Roseli</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Olá Fábio,<br />
Optamos por utilizar o Pagseguro para as transações de assinaturas do site e só podemos cadastrar o assinante após a liberação feita pelo mesmo.<br />
As vias de pagamento (cartão, débito automático ou boleto) obedecem prazos diferentes de liberação. Vamos aguardar até amanhã, provavelmente deve liberar, ok?<br />
Agradecemos pela sua assinatura<br />
Abraço<br />
Roseli</p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>Comentário para Religiões do Mundo I - 20ª Aula por Gilson</title>
		<link>http://luizgonzagadecarvalho.com/2009/11/24/religioes-do-mundo-i-20a-aula/#comment-913</link>
		<dc:creator>Gilson</dc:creator>
		<pubDate>Fri, 22 Jan 2010 19:50:38 +0000</pubDate>
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		<description>Fabio, 

Conseguiu resolver sua assinatura?

Gilson</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Fabio, </p>
<p>Conseguiu resolver sua assinatura?</p>
<p>Gilson</p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>Comentário para Religiões do Mundo I - 20ª Aula por Fabio</title>
		<link>http://luizgonzagadecarvalho.com/2009/11/24/religioes-do-mundo-i-20a-aula/#comment-912</link>
		<dc:creator>Fabio</dc:creator>
		<pubDate>Tue, 19 Jan 2010 14:10:07 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://luizgonzagadecarvalho.com/?p=268#comment-912</guid>
		<description>Oi. Mandei por e-mail (duas vezes) a comprovação de pagamento da minha assinatura e até agora não obtive resposta. Aconteceu alguma coisa?</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Oi. Mandei por e-mail (duas vezes) a comprovação de pagamento da minha assinatura e até agora não obtive resposta. Aconteceu alguma coisa?</p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>Comentário para Religiões do Mundo I - 20ª Aula por Wesley</title>
		<link>http://luizgonzagadecarvalho.com/2009/11/24/religioes-do-mundo-i-20a-aula/#comment-911</link>
		<dc:creator>Wesley</dc:creator>
		<pubDate>Wed, 06 Jan 2010 15:53:03 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://luizgonzagadecarvalho.com/?p=268#comment-911</guid>
		<description>Feliz 2010 a todos do site</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Feliz 2010 a todos do site</p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>Comentário para Religiões do Mundo I - 20ª Aula por Flavio</title>
		<link>http://luizgonzagadecarvalho.com/2009/11/24/religioes-do-mundo-i-20a-aula/#comment-903</link>
		<dc:creator>Flavio</dc:creator>
		<pubDate>Thu, 24 Dec 2009 03:48:25 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://luizgonzagadecarvalho.com/?p=268#comment-903</guid>
		<description>Desejo ao Prof.,a equipe do site e aos visitantes do site,um FELIZ NATAL E UM FELIZ 2010.

Que NS Jesus Cristo e NS de Fátima os abençõe e guie.</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Desejo ao Prof.,a equipe do site e aos visitantes do site,um FELIZ NATAL E UM FELIZ 2010.</p>
<p>Que NS Jesus Cristo e NS de Fátima os abençõe e guie.</p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>Comentário para Religiões do Mundo I - 18ª Aula por Leandro Pinto</title>
		<link>http://luizgonzagadecarvalho.com/2009/09/16/religioes-do-mundo-i-18a-aula/#comment-900</link>
		<dc:creator>Leandro Pinto</dc:creator>
		<pubDate>Tue, 22 Dec 2009 11:51:03 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://luizgonzagadecarvalho.com/?p=255#comment-900</guid>
		<description>Caro professor Luiz Gonzaga de Carvalho, em primeiro lugar parabéns pelo curso e espero que o senhor continue nos próximos anos a lecionar essa matéria, em segundo lugar desejo-lhe um feliz natal e um ótimo ano novo.

Mas o motivo de eu novamente aparecer aqui é o fato de as suas aulas conterem algumas imprecisões e informações equivocadas sobre as "tradições indígenas". Sei que pareço redundante, mas penso que nos futuros cursos que o senhor venha a dar é necessário uma correção em alguns pontos importantes.

1) Ao se referir em conjunto às tradições indígenas, o senhor disse que "todas elas são tradições orais, não-civilizadas", e que os índios são "povos mais ou menos nômades". Ambas afirmações são falsas. Antes da chegada dos europeus no séc. XV havia no continente americano pelo menos três civilizações distintas (inca, asteca e maia), e sabemos por dados arqueológicos que estas não foram as primeiras. Destarte, além destas antigas civilizações, muitos povos tinham na agricultura a base da sua economia, não sendo assim nômades. Levando-se em conta ainda o processo de aculturação, miscigenação e integração dos povos indígenas nos Estados nacionais modernos, podemos dizer que a quase totalidade destes povos já abandonou ou foi forçada a abandonar o modo de vida nômade.

2) O senhor disse que "os índios não deixaram relatos escritos". Isso é completamente falso. Os maias possuíam um sistema de escrita e, apesar da destruição das suas bibliotecas pelos espanhóis, muitos livros foram conservados (o Popol Vuh, por exemplo, serviu até mesmo de modelo para alguns dos contos fantásticos de Jorge Luis Borges). Por outro lado, assim como os gregos criaram o seu alfabeto a partir dos caracteres fenícios, houve na América do Norte (por ex. os povos da lingua cree do norte do Canadá) uma apropriação do código verbal dos missionários para a elaboração de sistemas de linguagem próprios. Também não podemos ignorar que ao longo dos últimos 200 anos os índios escreveram cartas, livros e manifestos nas línguas ocidentais (exemplo clássico é a obra "Black Elk Speaks") ou em sua própria língua mas utilizando o alfabeto latino.

3) O senhor disse: "Por que os romanos, os chineses, os hindus, criaram impérios e os índios não?". Não preciso nem dizer porque essa pergunta é equivocada. Mas o que me parece mais impreciso é essa mania, esse horrível vício de linguagem, de se referir genericamente os povos nativos das Américas como índios. Deveríamos ao menos ter o respeito de chamá-los por seus próprios nomes (se bem que a categoria "índio" ou "indígena" tem lá a sua utilidade e economia de expressão em alguns casos).

4) O senhor afirmou que "passar de uma sociedade tribal para uma civilização não é um processo natural". Ora, ao contrário do que disse o professor, há sim uma continuidade natural (do ponto de vista demográfico) entre vida tribal e civilização. Não há uma ruptura entre civilização e vida nômade, porque há um processo gradual de sedentarismo, via agricultura, que leva até a formação da civilização. Basta ver o sugimento da civilização romana. Roma não nasceu de uma ruptura, mas de um processo histórico de adaptação dos latinos, etruscos, sabinos, etc., às condições da península itálica. Essa adaptação vai desde os primórdios do neolítico até a idade do ferro, sendo ela precedida de uma gradual passagem do nomadismo à vida sedentária. Por outro lado, é falso dizer, como o senhor disse, que a vida sedentária se deva a uma determinação de ordem exclusivamente espiritual. Aristóteles nunca afirmou que a vida na pólis era o resultado de uma ordem divina direta. Para Aristóteles, a vida na pólis era o resultado de um processo natural, pois o ser humano tende naturalmente a viver em sociedade.

5) Outro erro foi afirmar que "se o índio for romântico um dia ele morre", como se a escassez de comida fosse uma constante na vida destas sociedades. Em primeiro lugar, antes da colonização, haviam aqui grandes civilizações e é absurdo dizer que elas não tinham provisões de alimento. Em segundo lugar, pesquisas etnográficas feitas no final do século XX em comunidades da Amazônia mostraram que, longe de ser um angustiado pela falta de víveres, um povo como os Yanomami sabiam como fazer e conservar farinha de mandioca, pipoca, amendoim torrado, etc., ao ponto de não precisar caçar ou pescar todo dia, podendo mesmo passar dias e semanas em total dedicação a outras atividades humanas, sem precisar se preocupar com falta de alimento. Portanto, essa visão que o senhor tentou passar aos seus alunos, de que o índio vive cercado por um ambiente hostil, deserto, cercado por lobos e ninhos de cobra, num lugar onde não tem comida, é mais a visão do colonizador, do europeu branco amedrontado com a floresta, ou do turista, do que uma visão científica. O senhor precisa estudar um pouquinho mais de etnografia.

6) Outra estultícia foi afimar que "o índio não tem muito conhecimento do espaço em que ele vive". O fato de não existirem aceleradores de partículas subatômicas numa aldeia Kashinawá não quer dizer que o conhecimento da flora e da fauna, ou da natureza metafísica do universo, seja inexistente nesta sociedade. Por sinal, se nós ocidentais chegamos a saber alguma coisa, desde o séc. XV, sobre a geografia, a fauna e a bioma do continente, fui em grande parte graças às informações que foram coletadas junto aos nativos.

7) Não é verdade que "os índios sentiram ojeriza dos brancos". Os relatos dos primeiros cronistas não dizem exatamente isso. Pelo contrário, muitos povos trataram os recém chegados com gentileza e hospitalidade. Só foram sentir ojeriza depois. Quando foram objetos do escravismo colonial.

8) O senhor deu a entender que o homem que depende de uma tradição oral, caso ela venha a se perder ou se enfraquecer, se transforma num "animal" em pouquíssimas gerações. Se isso fosse mesmo verdade, como explicar que foram os homens que não dependiam de nenhuma tradição puramente oral, aqueles que mais desceram ao nível das bestas, pois de Goethe até Hitler não se passaram mais que três ou quatro gerações. Aliás, o nazismo e o comunismo foram muito piores do que os rituais de sacrifício dos astecas ou as práticas antropófogas dos tupinambás. Por mais degenerados que sejam estes costumes, não creio que os astecas ou tupinambás sejam exemplares de um processo repentino de perda dos valores culturais, como o senhor deu a entender, sugerindo uma mudança "de homens espirituais em canibais assassinos em duas ou três gerações". Creio que isso aconteceu na Europa, visto que o mundo ocidental caiu na barbárie de duas guerras seguidas, intercaladas pelo genocídio ucraniano, numa velocidade impressionante. Os sacrifícios humanos e a antropofagia seriam certamente uma perda ou distorção de certos valores, mas não uma repentina mudança que se processou no curto espaço de três ou quatro gerações. Tal mudança rápida, devastadora e repentina, resultado da decadência dos valores espirituais genuínos, creio ter ocorrido na Europa. Por sinal, um ritual de antropofagia conservava mais respeito pelo prisioneiro de guerra do que os campos de concentração nazistas.

9) É falso dizer que, entre os Guaranis, "só existem tipos sacerdotais ou tipos guerreiros". Isso é ignorar que as mulheres costumam realizar as tarefas domésticas e os serviços comunitários mais simples. Repito: o senhor precisa estudar um pouquinho mais de etnografia. Além disso, para a tradição guarani, os Quatro Caminhos, antes de serem uma forma de organização social, é primariamente a expressão de uma cosmologia. A aplicação social é secundária.

Enfim, e só isso professor. O seu curso é ótimo e espero que as minhas observações tenham alguma utilidade.

Saúde e Paz! Feliz Natal! Feliz 2010!</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Caro professor Luiz Gonzaga de Carvalho, em primeiro lugar parabéns pelo curso e espero que o senhor continue nos próximos anos a lecionar essa matéria, em segundo lugar desejo-lhe um feliz natal e um ótimo ano novo.</p>
<p>Mas o motivo de eu novamente aparecer aqui é o fato de as suas aulas conterem algumas imprecisões e informações equivocadas sobre as &#8220;tradições indígenas&#8221;. Sei que pareço redundante, mas penso que nos futuros cursos que o senhor venha a dar é necessário uma correção em alguns pontos importantes.</p>
<p>1) Ao se referir em conjunto às tradições indígenas, o senhor disse que &#8220;todas elas são tradições orais, não-civilizadas&#8221;, e que os índios são &#8220;povos mais ou menos nômades&#8221;. Ambas afirmações são falsas. Antes da chegada dos europeus no séc. XV havia no continente americano pelo menos três civilizações distintas (inca, asteca e maia), e sabemos por dados arqueológicos que estas não foram as primeiras. Destarte, além destas antigas civilizações, muitos povos tinham na agricultura a base da sua economia, não sendo assim nômades. Levando-se em conta ainda o processo de aculturação, miscigenação e integração dos povos indígenas nos Estados nacionais modernos, podemos dizer que a quase totalidade destes povos já abandonou ou foi forçada a abandonar o modo de vida nômade.</p>
<p>2) O senhor disse que &#8220;os índios não deixaram relatos escritos&#8221;. Isso é completamente falso. Os maias possuíam um sistema de escrita e, apesar da destruição das suas bibliotecas pelos espanhóis, muitos livros foram conservados (o Popol Vuh, por exemplo, serviu até mesmo de modelo para alguns dos contos fantásticos de Jorge Luis Borges). Por outro lado, assim como os gregos criaram o seu alfabeto a partir dos caracteres fenícios, houve na América do Norte (por ex. os povos da lingua cree do norte do Canadá) uma apropriação do código verbal dos missionários para a elaboração de sistemas de linguagem próprios. Também não podemos ignorar que ao longo dos últimos 200 anos os índios escreveram cartas, livros e manifestos nas línguas ocidentais (exemplo clássico é a obra &#8220;Black Elk Speaks&#8221;) ou em sua própria língua mas utilizando o alfabeto latino.</p>
<p>3) O senhor disse: &#8220;Por que os romanos, os chineses, os hindus, criaram impérios e os índios não?&#8221;. Não preciso nem dizer porque essa pergunta é equivocada. Mas o que me parece mais impreciso é essa mania, esse horrível vício de linguagem, de se referir genericamente os povos nativos das Américas como índios. Deveríamos ao menos ter o respeito de chamá-los por seus próprios nomes (se bem que a categoria &#8220;índio&#8221; ou &#8220;indígena&#8221; tem lá a sua utilidade e economia de expressão em alguns casos).</p>
<p>4) O senhor afirmou que &#8220;passar de uma sociedade tribal para uma civilização não é um processo natural&#8221;. Ora, ao contrário do que disse o professor, há sim uma continuidade natural (do ponto de vista demográfico) entre vida tribal e civilização. Não há uma ruptura entre civilização e vida nômade, porque há um processo gradual de sedentarismo, via agricultura, que leva até a formação da civilização. Basta ver o sugimento da civilização romana. Roma não nasceu de uma ruptura, mas de um processo histórico de adaptação dos latinos, etruscos, sabinos, etc., às condições da península itálica. Essa adaptação vai desde os primórdios do neolítico até a idade do ferro, sendo ela precedida de uma gradual passagem do nomadismo à vida sedentária. Por outro lado, é falso dizer, como o senhor disse, que a vida sedentária se deva a uma determinação de ordem exclusivamente espiritual. Aristóteles nunca afirmou que a vida na pólis era o resultado de uma ordem divina direta. Para Aristóteles, a vida na pólis era o resultado de um processo natural, pois o ser humano tende naturalmente a viver em sociedade.</p>
<p>5) Outro erro foi afirmar que &#8220;se o índio for romântico um dia ele morre&#8221;, como se a escassez de comida fosse uma constante na vida destas sociedades. Em primeiro lugar, antes da colonização, haviam aqui grandes civilizações e é absurdo dizer que elas não tinham provisões de alimento. Em segundo lugar, pesquisas etnográficas feitas no final do século XX em comunidades da Amazônia mostraram que, longe de ser um angustiado pela falta de víveres, um povo como os Yanomami sabiam como fazer e conservar farinha de mandioca, pipoca, amendoim torrado, etc., ao ponto de não precisar caçar ou pescar todo dia, podendo mesmo passar dias e semanas em total dedicação a outras atividades humanas, sem precisar se preocupar com falta de alimento. Portanto, essa visão que o senhor tentou passar aos seus alunos, de que o índio vive cercado por um ambiente hostil, deserto, cercado por lobos e ninhos de cobra, num lugar onde não tem comida, é mais a visão do colonizador, do europeu branco amedrontado com a floresta, ou do turista, do que uma visão científica. O senhor precisa estudar um pouquinho mais de etnografia.</p>
<p>6) Outra estultícia foi afimar que &#8220;o índio não tem muito conhecimento do espaço em que ele vive&#8221;. O fato de não existirem aceleradores de partículas subatômicas numa aldeia Kashinawá não quer dizer que o conhecimento da flora e da fauna, ou da natureza metafísica do universo, seja inexistente nesta sociedade. Por sinal, se nós ocidentais chegamos a saber alguma coisa, desde o séc. XV, sobre a geografia, a fauna e a bioma do continente, fui em grande parte graças às informações que foram coletadas junto aos nativos.</p>
<p>7) Não é verdade que &#8220;os índios sentiram ojeriza dos brancos&#8221;. Os relatos dos primeiros cronistas não dizem exatamente isso. Pelo contrário, muitos povos trataram os recém chegados com gentileza e hospitalidade. Só foram sentir ojeriza depois. Quando foram objetos do escravismo colonial.</p>
<p>8) O senhor deu a entender que o homem que depende de uma tradição oral, caso ela venha a se perder ou se enfraquecer, se transforma num &#8220;animal&#8221; em pouquíssimas gerações. Se isso fosse mesmo verdade, como explicar que foram os homens que não dependiam de nenhuma tradição puramente oral, aqueles que mais desceram ao nível das bestas, pois de Goethe até Hitler não se passaram mais que três ou quatro gerações. Aliás, o nazismo e o comunismo foram muito piores do que os rituais de sacrifício dos astecas ou as práticas antropófogas dos tupinambás. Por mais degenerados que sejam estes costumes, não creio que os astecas ou tupinambás sejam exemplares de um processo repentino de perda dos valores culturais, como o senhor deu a entender, sugerindo uma mudança &#8220;de homens espirituais em canibais assassinos em duas ou três gerações&#8221;. Creio que isso aconteceu na Europa, visto que o mundo ocidental caiu na barbárie de duas guerras seguidas, intercaladas pelo genocídio ucraniano, numa velocidade impressionante. Os sacrifícios humanos e a antropofagia seriam certamente uma perda ou distorção de certos valores, mas não uma repentina mudança que se processou no curto espaço de três ou quatro gerações. Tal mudança rápida, devastadora e repentina, resultado da decadência dos valores espirituais genuínos, creio ter ocorrido na Europa. Por sinal, um ritual de antropofagia conservava mais respeito pelo prisioneiro de guerra do que os campos de concentração nazistas.</p>
<p>9) É falso dizer que, entre os Guaranis, &#8220;só existem tipos sacerdotais ou tipos guerreiros&#8221;. Isso é ignorar que as mulheres costumam realizar as tarefas domésticas e os serviços comunitários mais simples. Repito: o senhor precisa estudar um pouquinho mais de etnografia. Além disso, para a tradição guarani, os Quatro Caminhos, antes de serem uma forma de organização social, é primariamente a expressão de uma cosmologia. A aplicação social é secundária.</p>
<p>Enfim, e só isso professor. O seu curso é ótimo e espero que as minhas observações tenham alguma utilidade.</p>
<p>Saúde e Paz! Feliz Natal! Feliz 2010!</p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>Comentário para Religiões do Mundo I - 19ª Aula por caio.oliveira</title>
		<link>http://luizgonzagadecarvalho.com/2009/10/06/religioes-do-mundo-i-19a-aula/#comment-899</link>
		<dc:creator>caio.oliveira</dc:creator>
		<pubDate>Tue, 22 Dec 2009 10:49:09 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://luizgonzagadecarvalho.com/?p=262#comment-899</guid>
		<description>Parece-me evidente que as aulas abordam as diferentes religiões de um ponto de vista perenialista e especificamente schuoniano, com todas as vantagens e desvantagens que isso pode representar. Você necessariamente tem uma distorção, em maior ou menor grau, de cada uma delas, já que elas não se vêem a si mesmas e umas às outras do ponto de vista perenalista schuoniano. 

Por exemplo, um amigo, cristão ortodoxo, reprovou as aulas sobre Cristianismo devido à ênfase no aspecto moral, como se o Cristianismo se resumisse a isso ou tivesse esse como seu aspecto principal conforme os próprios sábios cristãos. Também criticou a abertura ao catolicismo e ao protestantismo, como se fosse tudo Cristianismo na mesma medida. 

Por outro lado, um muçulmano e um judeu enxergam no Cristianismo um desvio e uma incompletude essenciais que invalidam a atitude perenialista de enxergar em cada tradição um universo auto-suficiente dentro de seus próprios limites. E, para um muçulmano, a descrição do Islã também foi tão pobre ao ponto de distorcê-lo completamente.

Dessa forma, apesar de desconhecer quase que por completo as tradições indígenas, presumo que as críticas feitas por Leandro devem proceder. 

O que há de melhor nessas aulas não é a descrição de cada religião, mas as reflexões e conceitos mais abrangentes e supra-religiosos enquanto as descreve e explica. O curso me tem sido muito mais útil em sua cosmologia e metafísica do que no estudo de cada religião. 

Além disso, já tendo começado a ouvir as aulas da 2ª parte,  parece-me que a ordem está invertida, pois essa parte é importante como pré-requisito para compreender a primeira.

Enfim, estou adorando as aulas, mas não o que há de "religiões comparadas" nelas.

Abraço,</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Parece-me evidente que as aulas abordam as diferentes religiões de um ponto de vista perenialista e especificamente schuoniano, com todas as vantagens e desvantagens que isso pode representar. Você necessariamente tem uma distorção, em maior ou menor grau, de cada uma delas, já que elas não se vêem a si mesmas e umas às outras do ponto de vista perenalista schuoniano. </p>
<p>Por exemplo, um amigo, cristão ortodoxo, reprovou as aulas sobre Cristianismo devido à ênfase no aspecto moral, como se o Cristianismo se resumisse a isso ou tivesse esse como seu aspecto principal conforme os próprios sábios cristãos. Também criticou a abertura ao catolicismo e ao protestantismo, como se fosse tudo Cristianismo na mesma medida. </p>
<p>Por outro lado, um muçulmano e um judeu enxergam no Cristianismo um desvio e uma incompletude essenciais que invalidam a atitude perenialista de enxergar em cada tradição um universo auto-suficiente dentro de seus próprios limites. E, para um muçulmano, a descrição do Islã também foi tão pobre ao ponto de distorcê-lo completamente.</p>
<p>Dessa forma, apesar de desconhecer quase que por completo as tradições indígenas, presumo que as críticas feitas por Leandro devem proceder. </p>
<p>O que há de melhor nessas aulas não é a descrição de cada religião, mas as reflexões e conceitos mais abrangentes e supra-religiosos enquanto as descreve e explica. O curso me tem sido muito mais útil em sua cosmologia e metafísica do que no estudo de cada religião. </p>
<p>Além disso, já tendo começado a ouvir as aulas da 2ª parte,  parece-me que a ordem está invertida, pois essa parte é importante como pré-requisito para compreender a primeira.</p>
<p>Enfim, estou adorando as aulas, mas não o que há de &#8220;religiões comparadas&#8221; nelas.</p>
<p>Abraço,</p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>Comentário para Religiões do Mundo I - 20ª Aula por Wesley</title>
		<link>http://luizgonzagadecarvalho.com/2009/11/24/religioes-do-mundo-i-20a-aula/#comment-893</link>
		<dc:creator>Wesley</dc:creator>
		<pubDate>Wed, 16 Dec 2009 16:16:15 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://luizgonzagadecarvalho.com/?p=268#comment-893</guid>
		<description>Muito bom, tudo muitíssimo bom.
PARABÉNS!

Cada vez que ouço não só aprendo coisas novas, torno-me um homem novo.</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Muito bom, tudo muitíssimo bom.<br />
PARABÉNS!</p>
<p>Cada vez que ouço não só aprendo coisas novas, torno-me um homem novo.</p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>Comentário para Religiões do Mundo I - 20ª Aula por Jorge</title>
		<link>http://luizgonzagadecarvalho.com/2009/11/24/religioes-do-mundo-i-20a-aula/#comment-892</link>
		<dc:creator>Jorge</dc:creator>
		<pubDate>Wed, 16 Dec 2009 05:36:36 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://luizgonzagadecarvalho.com/?p=268#comment-892</guid>
		<description>Caro professor,

fico muito curioso em saber qual religião o sr. segue. Não é uma dúvida maliciosa, professor. É mera curiosidade.</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Caro professor,</p>
<p>fico muito curioso em saber qual religião o sr. segue. Não é uma dúvida maliciosa, professor. É mera curiosidade.</p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>Comentário para Religiões do Mundo I - 20ª Aula por Luiz de Carvalho</title>
		<link>http://luizgonzagadecarvalho.com/2009/11/24/religioes-do-mundo-i-20a-aula/#comment-889</link>
		<dc:creator>Luiz de Carvalho</dc:creator>
		<pubDate>Sat, 12 Dec 2009 17:22:52 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://luizgonzagadecarvalho.com/?p=268#comment-889</guid>
		<description>Ao administrador do site de Assinantes do prof. Luiz Gonzaga, não sei se o Sr. já se realizou metafisicamente e, lá no céu das estrelas fixas, anda muito ocupado a ver girar a máquina do mundo, mas se memória desta terra ainda se consente, gostava de saber quando se postarão as gravações das aulas naquele site. Entenda, o que irrita não é a demora, com ser a paciência uma virtude, antes é a indiferença. Obrigado.</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Ao administrador do site de Assinantes do prof. Luiz Gonzaga, não sei se o Sr. já se realizou metafisicamente e, lá no céu das estrelas fixas, anda muito ocupado a ver girar a máquina do mundo, mas se memória desta terra ainda se consente, gostava de saber quando se postarão as gravações das aulas naquele site. Entenda, o que irrita não é a demora, com ser a paciência uma virtude, antes é a indiferença. Obrigado.</p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>Comentário para Religiões do Mundo I - 13ª Aula por Leandro Pinto</title>
		<link>http://luizgonzagadecarvalho.com/2009/05/28/religioes-do-mundo-i-13a-aula/#comment-884</link>
		<dc:creator>Leandro Pinto</dc:creator>
		<pubDate>Tue, 08 Dec 2009 09:50:04 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://luizgonzagadecarvalho.com/?p=214#comment-884</guid>
		<description>Caro professor,

Dizer que o "mal tem um sentido dentro do bem que é Deus" é uma afirmação absurda e autocontraditória em si mesma. Dentro de Deus não há mal algum. E o mal não foi criado por Deus, porque em sentido metafísico estrito o mal nada é, não existe.

Por outro lado, dizer que as limitações dos objetos existem em função de nos revelar algo de Deus, só é verdadeiro na medida em que se considera a Natureza criada, constituída de entes finitos, como símbolo da Natureza incriada e criadora. A natureza criada é símbolo da existência de Deus na medida em que ela também existe, isto é, recebe o ser de sua existência da bondade divina. Se Deus é o ato puro de existir, o Existir absoluto, a natareza criada, por participar deste existir, simboliza uma condição inerente a Deus: a existência.

Desse modo, quando o senhor diz que "certas percepções só são possíveis diante do contraste", o professor está inteiramente correto, mas o contraste fundamental não é entre o Bem (Deus) e o mal (o nada, metafisicamente falando), mas entre Criador e criatura, entre a existência por si e a existência por outrem, entre ser necessário e ser contingente. E isto porque a distinção entre Ser e Nada é antes intelectual (lógica) do que objetiva. Não existe o nada objetivamente. Deus existe, e se existe é porque o nada não existe. O nada é apenas uma categoria lógica que significa não-Deus. Mas se Deus existe então o nada não existe. E se Deus é o Bem absoluto, isso implica que o mal, em termos metafísicos, não existe. 

Ora, o advento da Criação não traduz uma relação entre Deus (o ser) e não-Deus (o nada), mas sim uma relação entre Criador e criatura, sendo que ambas partilham de um traço em comum: a existência. E se algo existe na ordem da criação, dentro desta ordem só podemos aplicar o conceito de nada relativamente, em contraste com o que foi criado (por exemplo: planetas quadrados ou pedras com sistema digestivo não foram criações de Deus, portanto não existem. Isto é, o conceito de nada em termos físicos, cósmicos, não metafísicos, significa apenas aquilo que não foi criado). 

Dando por premissa: "Se tudo fosse tão luminoso quanto o sol nós não veríamos nada" (o que é correto em termos físicos) o senhor deduziu uma consequência de teologia moral que é uma ABERRAÇÃO.

Ou seja, o senhor acabou afirmando que o mal (moral) é necessário no plano da criação divina. 

Isso é uma HERESIA e blasfemia contra Deus. O professor ofendeu a santidade de Deus. Pois deu a entender aos seus alunos que Deus quis que houvesse toda sorte de brutalidade e iniquidade moral no plano da sua criação. Somente um Deus perverso e sádico poderia desejar esse tipo de coisa.

Dizer que a "revolta de Lúcifer já estava nos planos de Deus" é algo insolente, vil, herético, e uma depravação da Revelação divina (jamais a Torá, o Evangelho e o Alcorão afirmaram esse tipo de coisa). Dizer uma coisa dessas numa aula sobre as tradições abraâmicas é um insulto contra os profetas. Uma vergonha, uma vergonha.

Quando senhor diz que: "O mal tem um caráter providencial, isto é, mostrar algo que é impossível sem esta experiência", o professor diz a verdade do ponto de vista da aliança entre Deus e Abraão, pois de fato Deus anunciou, desde o princípio, que a descendência de Abraão sofreria o cativeiro e a opressão. Porém, temos que levar em conta que essa aliança se deu já no contexto da Queda e que o anúncio do cativeiro não significa que Deus fosse a causa eficiente deste. O homem já havia sofrido uma verdadeira desgraça espiritual. Sua inteligência e moral corrompida só poderia compreender que Deus é salvador, libertador e misericordioso numa situação de miséria e privação. Mas isso não quer dizer que o mal é um efeito direto da Providência Divina. Quer dizer apenas que Deus, em sua infinita sabedoria, sabe como tirar bom proveito das consequências nefastas do pecado original, o que não implica em afirmar que Deus tenha desejado esse pecado, ou tenha usado os egípcios para dar uma lição nos judeus, e muito menos que a soberba de Satã tenha sido algo planejado por Deus.

Quando o senhor afirma que: "Por mais que agente possa fruir do bem, não podemos fruir infinatamente no mesmo ato", o senhor acaba tomando a condição humana atual, limitada por todas as consequências corruptoras do pecado original, em condição necessária do ser humano. Ora, a experiência mística (e é absurdo supor que Adão e Eva não a tenham vivenciado antes da Queda) é justamente o ato de cognição de um infinito transcendente, absoluto, fonte da nossa própria existência. É evidente que há uma distinção entre fruir o infinito e fruir infinitamente o infinito. Mas quem disse que o ser humano foi criado para gozar infinitamente, sem nenhuma pausa, o Infinito transcendente? Por mais frequêntes que tenham sido os momentos de êxtase vivenciados por Adão no Paraíso, todos eles não passaram de momentos (todavia, para qualquer criatura que já entrou em êxtase por um segundo, sabe que este segundo é absorvido pela eternidade; isto é, subjetivamente não há a sensação de temporalidade, de mudança, de oscilação, na comunhão mística com Deus).

O senhor também disse que: "Nenhum desejo pode se satisfazer por completo", e mais uma vez tomou um efeito da condição humana depois da Queda em condição estrutural do ser humano, como se de fato nós estivéssemos condenados a permanecer por um tempo indefinido nesta situação lastimável de privação que desde muito tempo (mas não desde sempre) nos encontramos.

Outro ensinamento do senhor que eu também considerei muito falso e equivocado foi este: "Para que agente tenha uma noção clara do que é um bem infinito, só uma coleção de bens cada vez maiores nunca nos daria essa noção... mas a distinção radical e absoluta entre um bem e um mal ainda que limitados nos permite chegar ao conceito de um bem infinito. É essa dupla experiencia que nos permite entender o que é Deus".

Primeiro, é evidente que Adão tinha uma noção perfeitamente clara entre o Bem infinito que é Deus, criador de todas as coisas, e a sua própria existência finita e contingente. Adão sabia que era uma criatura, e a tentação em que ele caiu foi justamente a de pretender se igualar ao Criador. O pecado original da soberba ou da cobiça da onipotência divina, pretendendo ocupar o lugar de Deus, ser tão grande e tão sábio quanto Deus, rejeitando a obediência aos seus mandamentos, não teria sido possível se Adão e Eva fossem criaturas inconscientes da distância que os separava de Deus. É por terem a noção de uma diferença entre eles mesmos e Deus, e por terem aceitado a ignóbil oferta mentirosa de Satã, caindo assim na tentação diabólica de querer se igualar ao poder supremo, que Adão e Eva, após o pecado, sentiram vergonha da própria existência.

Não é necessário que se cometa o mal moral para se perceber a diferença entre o Deus infinito e todas as coisas criadas. Adão sabia muito bem que ele não era Deus, e o seu pecado consistiu basicamente em pretender sê-lo. O contraste entre Bem infinito e bem finito ocorreu naturalmente em Adão no momente em que ele nomeou os animais. É evidente que nesse instante ele sabia a diferença entre Criador e criatura, assim como é evidente que sabia que o Criador era infinitamente superior e melhor que qualquer criatura. Adão sabia perfeitamente que o Paraíso não era o próprio Deus e que gozar do Paraíso não era exatamente a mesma coisa que ouvir a voz de Deus e se comunicar com ele em seu coração nos momentos de êxtase. Além disso, a própria noção de limite ficou ainda mais clara para Adão no momento em que Deus criou Eva. Adão sabia que ele não era Eva, que ele e ela eram duas pessoas. E Adão também sabia que Eva não era Deus, e assim não confundia o Criador (Bem infinito) com a criatura Eva (bem finito, no sentido de algo criado e contingente que devia a sua existência a um princípio transcendente).

Portanto, eu afirmo com todas as letras que Adão sabia muito bem o que era o Infinito antes do pecado, antes da Queda e antes da terrível experiência da morte.

Todavia, o seu maior erro, professor, foi dizer que: "A experiência que os anjos tem do divino não permite que eles cheguem ao infinito". Isso é uma proposição completamente imbecil. Imaginar que o anjo Gabriel, que entregou o Corão ao Profeta, tinha menos conhecimento do Ser Infinito, da misericórdia infinita, da sabedoria e poder infinitos que Deus é, do que o próprio Mohammad, é inverter a ordem das coisas, como se fosse o Profeta quem visitou o anjo Gabriel para instruí-lo nas coisas de Deus.

É evidente que os anjos estão plenamente cientes da infinita bondade, sabedoria e poder de Deus. Pois se os anjos se comunicam com os homens é porque os percebem, e se os percebem é porque percebem a criação como um todo, e se percebem a criação sabem distinguir seus limites finitos temporais da eternidade infinita de Deus. A menos que queiramos imaginar que os anjos são cegos e ignorantes, coisa que me parece herética, vil e estúpida.

Por fim, afirmar como o senhor que: "O mal tem uma função em relação ao ser humano que não tem como ser preenchida de outro meio", é literalmente fazer papel de advogado do diabo. Pior ainda, é julgar a situação humana de um modo tão falso que dá ganho de causa ao fedorento e maldito Satanás. O senhor tenta justificar uma coisa que não tem justificativa. Belzebu, Lúcifer, Satã (pouco importa o nome que se dê a esse cão que só merece ser apedrejado) cometeu um ato de sedução que levou à perversão do gênero humano. O que o Diabo fez com a humanidade, ou melhor, o que a humanidade fez de si mesma (porca miséria!) por causa das MENTIRAS de Lúcifer, não se justifica de maneira alguma. O mal moral, que nada mais é que impiedade e ingratidão para com Deus, não tem função nenhuma no plano divino (é absurdo imaginar por sequer dois segundos que Deus deliberadamente planejou a Queda de Adão e Eva), Lúcifer não é um sócio secreto que faz aquilo que Deus quer por baixo dos panos, mas apenas uma criatura que escolheu, movida por soberba, inveja e desprezo da misericórdia divina, ser o "inimigo declarado dos homens" (Alcorão, 12, 5).

Saúde e Paz professor. Que Deus te ilumine. Gosto muito das suas aulas, mas sinto a necessidade de corrigir aquilo que julgo falso. Se eu estiver errado, que Deus me perdõe.</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Caro professor,</p>
<p>Dizer que o &#8220;mal tem um sentido dentro do bem que é Deus&#8221; é uma afirmação absurda e autocontraditória em si mesma. Dentro de Deus não há mal algum. E o mal não foi criado por Deus, porque em sentido metafísico estrito o mal nada é, não existe.</p>
<p>Por outro lado, dizer que as limitações dos objetos existem em função de nos revelar algo de Deus, só é verdadeiro na medida em que se considera a Natureza criada, constituída de entes finitos, como símbolo da Natureza incriada e criadora. A natureza criada é símbolo da existência de Deus na medida em que ela também existe, isto é, recebe o ser de sua existência da bondade divina. Se Deus é o ato puro de existir, o Existir absoluto, a natareza criada, por participar deste existir, simboliza uma condição inerente a Deus: a existência.</p>
<p>Desse modo, quando o senhor diz que &#8220;certas percepções só são possíveis diante do contraste&#8221;, o professor está inteiramente correto, mas o contraste fundamental não é entre o Bem (Deus) e o mal (o nada, metafisicamente falando), mas entre Criador e criatura, entre a existência por si e a existência por outrem, entre ser necessário e ser contingente. E isto porque a distinção entre Ser e Nada é antes intelectual (lógica) do que objetiva. Não existe o nada objetivamente. Deus existe, e se existe é porque o nada não existe. O nada é apenas uma categoria lógica que significa não-Deus. Mas se Deus existe então o nada não existe. E se Deus é o Bem absoluto, isso implica que o mal, em termos metafísicos, não existe. </p>
<p>Ora, o advento da Criação não traduz uma relação entre Deus (o ser) e não-Deus (o nada), mas sim uma relação entre Criador e criatura, sendo que ambas partilham de um traço em comum: a existência. E se algo existe na ordem da criação, dentro desta ordem só podemos aplicar o conceito de nada relativamente, em contraste com o que foi criado (por exemplo: planetas quadrados ou pedras com sistema digestivo não foram criações de Deus, portanto não existem. Isto é, o conceito de nada em termos físicos, cósmicos, não metafísicos, significa apenas aquilo que não foi criado). </p>
<p>Dando por premissa: &#8220;Se tudo fosse tão luminoso quanto o sol nós não veríamos nada&#8221; (o que é correto em termos físicos) o senhor deduziu uma consequência de teologia moral que é uma ABERRAÇÃO.</p>
<p>Ou seja, o senhor acabou afirmando que o mal (moral) é necessário no plano da criação divina. </p>
<p>Isso é uma HERESIA e blasfemia contra Deus. O professor ofendeu a santidade de Deus. Pois deu a entender aos seus alunos que Deus quis que houvesse toda sorte de brutalidade e iniquidade moral no plano da sua criação. Somente um Deus perverso e sádico poderia desejar esse tipo de coisa.</p>
<p>Dizer que a &#8220;revolta de Lúcifer já estava nos planos de Deus&#8221; é algo insolente, vil, herético, e uma depravação da Revelação divina (jamais a Torá, o Evangelho e o Alcorão afirmaram esse tipo de coisa). Dizer uma coisa dessas numa aula sobre as tradições abraâmicas é um insulto contra os profetas. Uma vergonha, uma vergonha.</p>
<p>Quando senhor diz que: &#8220;O mal tem um caráter providencial, isto é, mostrar algo que é impossível sem esta experiência&#8221;, o professor diz a verdade do ponto de vista da aliança entre Deus e Abraão, pois de fato Deus anunciou, desde o princípio, que a descendência de Abraão sofreria o cativeiro e a opressão. Porém, temos que levar em conta que essa aliança se deu já no contexto da Queda e que o anúncio do cativeiro não significa que Deus fosse a causa eficiente deste. O homem já havia sofrido uma verdadeira desgraça espiritual. Sua inteligência e moral corrompida só poderia compreender que Deus é salvador, libertador e misericordioso numa situação de miséria e privação. Mas isso não quer dizer que o mal é um efeito direto da Providência Divina. Quer dizer apenas que Deus, em sua infinita sabedoria, sabe como tirar bom proveito das consequências nefastas do pecado original, o que não implica em afirmar que Deus tenha desejado esse pecado, ou tenha usado os egípcios para dar uma lição nos judeus, e muito menos que a soberba de Satã tenha sido algo planejado por Deus.</p>
<p>Quando o senhor afirma que: &#8220;Por mais que agente possa fruir do bem, não podemos fruir infinatamente no mesmo ato&#8221;, o senhor acaba tomando a condição humana atual, limitada por todas as consequências corruptoras do pecado original, em condição necessária do ser humano. Ora, a experiência mística (e é absurdo supor que Adão e Eva não a tenham vivenciado antes da Queda) é justamente o ato de cognição de um infinito transcendente, absoluto, fonte da nossa própria existência. É evidente que há uma distinção entre fruir o infinito e fruir infinitamente o infinito. Mas quem disse que o ser humano foi criado para gozar infinitamente, sem nenhuma pausa, o Infinito transcendente? Por mais frequêntes que tenham sido os momentos de êxtase vivenciados por Adão no Paraíso, todos eles não passaram de momentos (todavia, para qualquer criatura que já entrou em êxtase por um segundo, sabe que este segundo é absorvido pela eternidade; isto é, subjetivamente não há a sensação de temporalidade, de mudança, de oscilação, na comunhão mística com Deus).</p>
<p>O senhor também disse que: &#8220;Nenhum desejo pode se satisfazer por completo&#8221;, e mais uma vez tomou um efeito da condição humana depois da Queda em condição estrutural do ser humano, como se de fato nós estivéssemos condenados a permanecer por um tempo indefinido nesta situação lastimável de privação que desde muito tempo (mas não desde sempre) nos encontramos.</p>
<p>Outro ensinamento do senhor que eu também considerei muito falso e equivocado foi este: &#8220;Para que agente tenha uma noção clara do que é um bem infinito, só uma coleção de bens cada vez maiores nunca nos daria essa noção&#8230; mas a distinção radical e absoluta entre um bem e um mal ainda que limitados nos permite chegar ao conceito de um bem infinito. É essa dupla experiencia que nos permite entender o que é Deus&#8221;.</p>
<p>Primeiro, é evidente que Adão tinha uma noção perfeitamente clara entre o Bem infinito que é Deus, criador de todas as coisas, e a sua própria existência finita e contingente. Adão sabia que era uma criatura, e a tentação em que ele caiu foi justamente a de pretender se igualar ao Criador. O pecado original da soberba ou da cobiça da onipotência divina, pretendendo ocupar o lugar de Deus, ser tão grande e tão sábio quanto Deus, rejeitando a obediência aos seus mandamentos, não teria sido possível se Adão e Eva fossem criaturas inconscientes da distância que os separava de Deus. É por terem a noção de uma diferença entre eles mesmos e Deus, e por terem aceitado a ignóbil oferta mentirosa de Satã, caindo assim na tentação diabólica de querer se igualar ao poder supremo, que Adão e Eva, após o pecado, sentiram vergonha da própria existência.</p>
<p>Não é necessário que se cometa o mal moral para se perceber a diferença entre o Deus infinito e todas as coisas criadas. Adão sabia muito bem que ele não era Deus, e o seu pecado consistiu basicamente em pretender sê-lo. O contraste entre Bem infinito e bem finito ocorreu naturalmente em Adão no momente em que ele nomeou os animais. É evidente que nesse instante ele sabia a diferença entre Criador e criatura, assim como é evidente que sabia que o Criador era infinitamente superior e melhor que qualquer criatura. Adão sabia perfeitamente que o Paraíso não era o próprio Deus e que gozar do Paraíso não era exatamente a mesma coisa que ouvir a voz de Deus e se comunicar com ele em seu coração nos momentos de êxtase. Além disso, a própria noção de limite ficou ainda mais clara para Adão no momento em que Deus criou Eva. Adão sabia que ele não era Eva, que ele e ela eram duas pessoas. E Adão também sabia que Eva não era Deus, e assim não confundia o Criador (Bem infinito) com a criatura Eva (bem finito, no sentido de algo criado e contingente que devia a sua existência a um princípio transcendente).</p>
<p>Portanto, eu afirmo com todas as letras que Adão sabia muito bem o que era o Infinito antes do pecado, antes da Queda e antes da terrível experiência da morte.</p>
<p>Todavia, o seu maior erro, professor, foi dizer que: &#8220;A experiência que os anjos tem do divino não permite que eles cheguem ao infinito&#8221;. Isso é uma proposição completamente imbecil. Imaginar que o anjo Gabriel, que entregou o Corão ao Profeta, tinha menos conhecimento do Ser Infinito, da misericórdia infinita, da sabedoria e poder infinitos que Deus é, do que o próprio Mohammad, é inverter a ordem das coisas, como se fosse o Profeta quem visitou o anjo Gabriel para instruí-lo nas coisas de Deus.</p>
<p>É evidente que os anjos estão plenamente cientes da infinita bondade, sabedoria e poder de Deus. Pois se os anjos se comunicam com os homens é porque os percebem, e se os percebem é porque percebem a criação como um todo, e se percebem a criação sabem distinguir seus limites finitos temporais da eternidade infinita de Deus. A menos que queiramos imaginar que os anjos são cegos e ignorantes, coisa que me parece herética, vil e estúpida.</p>
<p>Por fim, afirmar como o senhor que: &#8220;O mal tem uma função em relação ao ser humano que não tem como ser preenchida de outro meio&#8221;, é literalmente fazer papel de advogado do diabo. Pior ainda, é julgar a situação humana de um modo tão falso que dá ganho de causa ao fedorento e maldito Satanás. O senhor tenta justificar uma coisa que não tem justificativa. Belzebu, Lúcifer, Satã (pouco importa o nome que se dê a esse cão que só merece ser apedrejado) cometeu um ato de sedução que levou à perversão do gênero humano. O que o Diabo fez com a humanidade, ou melhor, o que a humanidade fez de si mesma (porca miséria!) por causa das MENTIRAS de Lúcifer, não se justifica de maneira alguma. O mal moral, que nada mais é que impiedade e ingratidão para com Deus, não tem função nenhuma no plano divino (é absurdo imaginar por sequer dois segundos que Deus deliberadamente planejou a Queda de Adão e Eva), Lúcifer não é um sócio secreto que faz aquilo que Deus quer por baixo dos panos, mas apenas uma criatura que escolheu, movida por soberba, inveja e desprezo da misericórdia divina, ser o &#8220;inimigo declarado dos homens&#8221; (Alcorão, 12, 5).</p>
<p>Saúde e Paz professor. Que Deus te ilumine. Gosto muito das suas aulas, mas sinto a necessidade de corrigir aquilo que julgo falso. Se eu estiver errado, que Deus me perdõe.</p>
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	</item>
	<item>
		<title>Comentário para Religiões do Mundo I - 20ª Aula por Douglas Mourão</title>
		<link>http://luizgonzagadecarvalho.com/2009/11/24/religioes-do-mundo-i-20a-aula/#comment-883</link>
		<dc:creator>Douglas Mourão</dc:creator>
		<pubDate>Fri, 04 Dec 2009 00:18:45 +0000</pubDate>
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		<description>Estranho como muitos doutos não compreendem o significado da palavra "introdução".</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Estranho como muitos doutos não compreendem o significado da palavra &#8220;introdução&#8221;.</p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>Comentário para Religiões do Mundo I - 19ª Aula por Leandro Pinto</title>
		<link>http://luizgonzagadecarvalho.com/2009/10/06/religioes-do-mundo-i-19a-aula/#comment-878</link>
		<dc:creator>Leandro Pinto</dc:creator>
		<pubDate>Tue, 01 Dec 2009 07:00:36 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://luizgonzagadecarvalho.com/?p=262#comment-878</guid>
		<description>Caro José Santini,

De fato eu me enganei quanto ao significado da palavra "primitivo" usada pelo senhor. Não só me enganei, como ainda caí em contradição, ao dizer que não sabia quem eram os primitivos e depois dando um julgamento sumário: "Primitiva é uma sociedade cheia de miseráveis, de pessoas doentes e ignorantes".

Todavia, creio que o uso da expressão "povos primitivos" ainda dá margem à muitos equívocos. O maior deles seria a imagem de povos absolutamente destituídos de historicidade, "parados no tempo", imobilizados numa mesma configuração social (as chamadas "sociedades frias"). Penso que as pirâmides da América Central são a prova mais contundente da dinâmica social destes povos. A América pré-Colombiana não é a história de sociedades parecidas com as teses de Zenão de Eléia.

A categoria "não-civilizados" também é problemática. Em relação ao continente sul-americano, prefiro falar em povos da floresta, povos dos andes e adjacências, e povos dos pampas, cerrados e locais áridos (só estes últimos é que seriam na maioria nômades). A História destes povos ainda está muito mal contada. Ela envolve, antes mesmo da chegada de portugueses e espanhóis, uma séria de guerras, migrações, processos de miscigenação e aculturação, formação de cidades, construção de templos, agricultura e domesticação de animais, criação de calendários (tanto lunares quanto solares), estratificação social, governo centralizado (antes mesmo do império Inca), e outros processos históricos. 

A categoria "não-civilizados" não pode ser aplicada, indistintamente, a todos os povos indígenas que viviam nas Américas por volta do ano 1500. A não ser que nós pensemos que ser civilizado é ser cristão. Mas nesse caso estaríamos caindo em etnocentrismo, julgando nós mesmos como civilizados e tudo o que é diferente como incivilizado ou mesmo "barbárie".

E o mote "Jesus Cristo ou barbárie" não deve ser empregado para opor as demais tradições espirituais da humanidade ao cristianismo. Eu o uso apenas para confrontar a mentalidade revolucionária, laica e tecnocrática que existe dentro do próprio ocidente. Todos estes signatários do "espírito moderno", que cospem na religião, me parecem piores do que Átila ou Gengis Khan.

Pessoalmente, eu não gosto do ponto de vista da Sorbonne (ele tem méritos científicos, mas a minha perspectiva não é ter um "conhecimento ilustrado" sobre tradições indígenas). E prefiro a Escola da Anta à Escola de Frankfurt. 

Quanto ao professor Luiz Gonzaga, ele me parece ser um grande homem, culto e religioso. Minhas divergências com ele são meramente acidentais, em um ou outro ponto, se bem que, volto a dizer, ele não me parece ter trilhado de forma profunda, em algum momento da vida, "o Caminho do Pajé". Quando ele fala dos Quatro Caminhos Sagrados tenho a impressão que ele está longe, muito longe, de o ter algum dia percorrido.

Abraço.</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Caro José Santini,</p>
<p>De fato eu me enganei quanto ao significado da palavra &#8220;primitivo&#8221; usada pelo senhor. Não só me enganei, como ainda caí em contradição, ao dizer que não sabia quem eram os primitivos e depois dando um julgamento sumário: &#8220;Primitiva é uma sociedade cheia de miseráveis, de pessoas doentes e ignorantes&#8221;.</p>
<p>Todavia, creio que o uso da expressão &#8220;povos primitivos&#8221; ainda dá margem à muitos equívocos. O maior deles seria a imagem de povos absolutamente destituídos de historicidade, &#8220;parados no tempo&#8221;, imobilizados numa mesma configuração social (as chamadas &#8220;sociedades frias&#8221;). Penso que as pirâmides da América Central são a prova mais contundente da dinâmica social destes povos. A América pré-Colombiana não é a história de sociedades parecidas com as teses de Zenão de Eléia.</p>
<p>A categoria &#8220;não-civilizados&#8221; também é problemática. Em relação ao continente sul-americano, prefiro falar em povos da floresta, povos dos andes e adjacências, e povos dos pampas, cerrados e locais áridos (só estes últimos é que seriam na maioria nômades). A História destes povos ainda está muito mal contada. Ela envolve, antes mesmo da chegada de portugueses e espanhóis, uma séria de guerras, migrações, processos de miscigenação e aculturação, formação de cidades, construção de templos, agricultura e domesticação de animais, criação de calendários (tanto lunares quanto solares), estratificação social, governo centralizado (antes mesmo do império Inca), e outros processos históricos. </p>
<p>A categoria &#8220;não-civilizados&#8221; não pode ser aplicada, indistintamente, a todos os povos indígenas que viviam nas Américas por volta do ano 1500. A não ser que nós pensemos que ser civilizado é ser cristão. Mas nesse caso estaríamos caindo em etnocentrismo, julgando nós mesmos como civilizados e tudo o que é diferente como incivilizado ou mesmo &#8220;barbárie&#8221;.</p>
<p>E o mote &#8220;Jesus Cristo ou barbárie&#8221; não deve ser empregado para opor as demais tradições espirituais da humanidade ao cristianismo. Eu o uso apenas para confrontar a mentalidade revolucionária, laica e tecnocrática que existe dentro do próprio ocidente. Todos estes signatários do &#8220;espírito moderno&#8221;, que cospem na religião, me parecem piores do que Átila ou Gengis Khan.</p>
<p>Pessoalmente, eu não gosto do ponto de vista da Sorbonne (ele tem méritos científicos, mas a minha perspectiva não é ter um &#8220;conhecimento ilustrado&#8221; sobre tradições indígenas). E prefiro a Escola da Anta à Escola de Frankfurt. </p>
<p>Quanto ao professor Luiz Gonzaga, ele me parece ser um grande homem, culto e religioso. Minhas divergências com ele são meramente acidentais, em um ou outro ponto, se bem que, volto a dizer, ele não me parece ter trilhado de forma profunda, em algum momento da vida, &#8220;o Caminho do Pajé&#8221;. Quando ele fala dos Quatro Caminhos Sagrados tenho a impressão que ele está longe, muito longe, de o ter algum dia percorrido.</p>
<p>Abraço.</p>
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