Religiões do Mundo I - 13ª Aula
Considerações Finais Sobre o Ramo Semítico
Hoje publicamos a gravação da décima terceira aula do primeiro módulo do curso Religiões do Mundo:
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Tags: Ramo Semítico, Religião
28 de maio de 2009 às 17:13
Prof. Luiz Gonzaga, parabéns pelas aulas. Que preciosidades!
Se for possível, gostaria que o sr. respondesse uma pergunta. Todas as religiões (chamanismo hiperbóreos, tradições greco-romanas, hinduísmo, budismo, judaísmo) ou não pretendem-se universalmente necessárias, ou são até restritas a um povo. As únicas exceções são o Cristianismo e o Islã: ambas pretendem-se universalmente necessárias, sob pena de condenação ao inferno para os que rejeitarem suas mensagens, e com dogmas radicalmente contrários uns aos outros: uma pretende que aceitar Jesus como Filho de Deus é absolutamente necessário, outra que aceitar que “Deus não gerou nem foi gerado” é o necessário. Como solucionar uma rivalidade dessas?
29 de maio de 2009 às 3:17
Flavio,
É possivel a salvação sem ser atravês da religião? Pois hoje é comum ouvir pessoas dizer: Não tenho religião,trato direto com Deus,sem intermediários.
QUE NOSSO SENHOR ABENÇÕE O SR. E SUA FAMILIA.
Flavio.
29 de maio de 2009 às 3:19
Errei no comenário acima.Aonde diz Flavio era pra ser Prof.Luiz
13 de julho de 2009 às 19:24
Oi professor! Gostaria de saber se as aulas de religiões comparadas continuarão a serem postadas?Abraços!
23 de julho de 2009 às 16:49
Gostaria que o administrador do site tivesse um pouco mais de atenção com os ouvintes das aulas. Nossos posts não são respondidos nunca por ninguém, assim fica difícil!
10 de agosto de 2009 às 11:46
Ricardo,
Nem toda religião afirma ser o único caminho, mas todas se afirmam necessárias.
Mesmo as religiões mais exclusivistas, como o cristianismo e o islamismo, admitem a salvação excepcional de pessoas do “lado de fora”.
Uma religião é única num sentido similar ao da unicidade da consciência individual. É realmente impossível “resolver” todas as diferenças entre elas sem descaracterizá-las completamente. Seria como tentar “resolver” as diferenças entre duas pessoas, no final do processo teríamos somente duas semi-pessoas bastante semelhantes entre si e muito diferentes das pessoas originais.
Agora, uma diferença doutrinal não é o mesmo que uma rivalidade. Assim, é perfeitamente possível duas pessoas muito diferentes sentarem-se à mesma mesa para partilhar uma refeição.
Flavio,
Deus é a causa da salvação e é certamente possível para Ele salvar quem quer que seja.
Por outro lado, que garantias tem uma pessoa que diz tratar diretamente com Deus? Como ela sabe que aquele com quem ela trata é Deus?
A religião é também um conjunto de meios de verificação para que o indivíduo saiba com quem ele está tratando.
Leal e Bernardo,
Peço que me desculpem por esse longo tempo sem responder. Questões pessoais me mantiveram afastado desse site, mas agora devo voltar a responder a todos.
As aulas continuarão a ser postadas aqui e muito em breve vamos começar os cursos online.
11 de agosto de 2009 às 15:49
Foi dito que o Deus do antigo testamento demonstra misericórdia em inúmeras ocasiões com seu povo. Concordo, mas somente com seu povo.com os inimigos era implacável (vide pragas do Egito etc). Bem diferente do Cristo mandando amar os inimigos e rezar pelos que perseguem.
15 de agosto de 2009 às 1:15
Grato pela resposta,prof.
Bom vê-lo respondedo as perguntas.
Que Nosso Senhor Jesus Cristo lha abençõe.
8 de dezembro de 2009 às 6:50
Caro professor,
Dizer que o “mal tem um sentido dentro do bem que é Deus” é uma afirmação absurda e autocontraditória em si mesma. Dentro de Deus não há mal algum. E o mal não foi criado por Deus, porque em sentido metafísico estrito o mal nada é, não existe.
Por outro lado, dizer que as limitações dos objetos existem em função de nos revelar algo de Deus, só é verdadeiro na medida em que se considera a Natureza criada, constituída de entes finitos, como símbolo da Natureza incriada e criadora. A natureza criada é símbolo da existência de Deus na medida em que ela também existe, isto é, recebe o ser de sua existência da bondade divina. Se Deus é o ato puro de existir, o Existir absoluto, a natareza criada, por participar deste existir, simboliza uma condição inerente a Deus: a existência.
Desse modo, quando o senhor diz que “certas percepções só são possíveis diante do contraste”, o professor está inteiramente correto, mas o contraste fundamental não é entre o Bem (Deus) e o mal (o nada, metafisicamente falando), mas entre Criador e criatura, entre a existência por si e a existência por outrem, entre ser necessário e ser contingente. E isto porque a distinção entre Ser e Nada é antes intelectual (lógica) do que objetiva. Não existe o nada objetivamente. Deus existe, e se existe é porque o nada não existe. O nada é apenas uma categoria lógica que significa não-Deus. Mas se Deus existe então o nada não existe. E se Deus é o Bem absoluto, isso implica que o mal, em termos metafísicos, não existe.
Ora, o advento da Criação não traduz uma relação entre Deus (o ser) e não-Deus (o nada), mas sim uma relação entre Criador e criatura, sendo que ambas partilham de um traço em comum: a existência. E se algo existe na ordem da criação, dentro desta ordem só podemos aplicar o conceito de nada relativamente, em contraste com o que foi criado (por exemplo: planetas quadrados ou pedras com sistema digestivo não foram criações de Deus, portanto não existem. Isto é, o conceito de nada em termos físicos, cósmicos, não metafísicos, significa apenas aquilo que não foi criado).
Dando por premissa: “Se tudo fosse tão luminoso quanto o sol nós não veríamos nada” (o que é correto em termos físicos) o senhor deduziu uma consequência de teologia moral que é uma ABERRAÇÃO.
Ou seja, o senhor acabou afirmando que o mal (moral) é necessário no plano da criação divina.
Isso é uma HERESIA e blasfemia contra Deus. O professor ofendeu a santidade de Deus. Pois deu a entender aos seus alunos que Deus quis que houvesse toda sorte de brutalidade e iniquidade moral no plano da sua criação. Somente um Deus perverso e sádico poderia desejar esse tipo de coisa.
Dizer que a “revolta de Lúcifer já estava nos planos de Deus” é algo insolente, vil, herético, e uma depravação da Revelação divina (jamais a Torá, o Evangelho e o Alcorão afirmaram esse tipo de coisa). Dizer uma coisa dessas numa aula sobre as tradições abraâmicas é um insulto contra os profetas. Uma vergonha, uma vergonha.
Quando senhor diz que: “O mal tem um caráter providencial, isto é, mostrar algo que é impossível sem esta experiência”, o professor diz a verdade do ponto de vista da aliança entre Deus e Abraão, pois de fato Deus anunciou, desde o princípio, que a descendência de Abraão sofreria o cativeiro e a opressão. Porém, temos que levar em conta que essa aliança se deu já no contexto da Queda e que o anúncio do cativeiro não significa que Deus fosse a causa eficiente deste. O homem já havia sofrido uma verdadeira desgraça espiritual. Sua inteligência e moral corrompida só poderia compreender que Deus é salvador, libertador e misericordioso numa situação de miséria e privação. Mas isso não quer dizer que o mal é um efeito direto da Providência Divina. Quer dizer apenas que Deus, em sua infinita sabedoria, sabe como tirar bom proveito das consequências nefastas do pecado original, o que não implica em afirmar que Deus tenha desejado esse pecado, ou tenha usado os egípcios para dar uma lição nos judeus, e muito menos que a soberba de Satã tenha sido algo planejado por Deus.
Quando o senhor afirma que: “Por mais que agente possa fruir do bem, não podemos fruir infinatamente no mesmo ato”, o senhor acaba tomando a condição humana atual, limitada por todas as consequências corruptoras do pecado original, em condição necessária do ser humano. Ora, a experiência mística (e é absurdo supor que Adão e Eva não a tenham vivenciado antes da Queda) é justamente o ato de cognição de um infinito transcendente, absoluto, fonte da nossa própria existência. É evidente que há uma distinção entre fruir o infinito e fruir infinitamente o infinito. Mas quem disse que o ser humano foi criado para gozar infinitamente, sem nenhuma pausa, o Infinito transcendente? Por mais frequêntes que tenham sido os momentos de êxtase vivenciados por Adão no Paraíso, todos eles não passaram de momentos (todavia, para qualquer criatura que já entrou em êxtase por um segundo, sabe que este segundo é absorvido pela eternidade; isto é, subjetivamente não há a sensação de temporalidade, de mudança, de oscilação, na comunhão mística com Deus).
O senhor também disse que: “Nenhum desejo pode se satisfazer por completo”, e mais uma vez tomou um efeito da condição humana depois da Queda em condição estrutural do ser humano, como se de fato nós estivéssemos condenados a permanecer por um tempo indefinido nesta situação lastimável de privação que desde muito tempo (mas não desde sempre) nos encontramos.
Outro ensinamento do senhor que eu também considerei muito falso e equivocado foi este: “Para que agente tenha uma noção clara do que é um bem infinito, só uma coleção de bens cada vez maiores nunca nos daria essa noção… mas a distinção radical e absoluta entre um bem e um mal ainda que limitados nos permite chegar ao conceito de um bem infinito. É essa dupla experiencia que nos permite entender o que é Deus”.
Primeiro, é evidente que Adão tinha uma noção perfeitamente clara entre o Bem infinito que é Deus, criador de todas as coisas, e a sua própria existência finita e contingente. Adão sabia que era uma criatura, e a tentação em que ele caiu foi justamente a de pretender se igualar ao Criador. O pecado original da soberba ou da cobiça da onipotência divina, pretendendo ocupar o lugar de Deus, ser tão grande e tão sábio quanto Deus, rejeitando a obediência aos seus mandamentos, não teria sido possível se Adão e Eva fossem criaturas inconscientes da distância que os separava de Deus. É por terem a noção de uma diferença entre eles mesmos e Deus, e por terem aceitado a ignóbil oferta mentirosa de Satã, caindo assim na tentação diabólica de querer se igualar ao poder supremo, que Adão e Eva, após o pecado, sentiram vergonha da própria existência.
Não é necessário que se cometa o mal moral para se perceber a diferença entre o Deus infinito e todas as coisas criadas. Adão sabia muito bem que ele não era Deus, e o seu pecado consistiu basicamente em pretender sê-lo. O contraste entre Bem infinito e bem finito ocorreu naturalmente em Adão no momente em que ele nomeou os animais. É evidente que nesse instante ele sabia a diferença entre Criador e criatura, assim como é evidente que sabia que o Criador era infinitamente superior e melhor que qualquer criatura. Adão sabia perfeitamente que o Paraíso não era o próprio Deus e que gozar do Paraíso não era exatamente a mesma coisa que ouvir a voz de Deus e se comunicar com ele em seu coração nos momentos de êxtase. Além disso, a própria noção de limite ficou ainda mais clara para Adão no momento em que Deus criou Eva. Adão sabia que ele não era Eva, que ele e ela eram duas pessoas. E Adão também sabia que Eva não era Deus, e assim não confundia o Criador (Bem infinito) com a criatura Eva (bem finito, no sentido de algo criado e contingente que devia a sua existência a um princípio transcendente).
Portanto, eu afirmo com todas as letras que Adão sabia muito bem o que era o Infinito antes do pecado, antes da Queda e antes da terrível experiência da morte.
Todavia, o seu maior erro, professor, foi dizer que: “A experiência que os anjos tem do divino não permite que eles cheguem ao infinito”. Isso é uma proposição completamente imbecil. Imaginar que o anjo Gabriel, que entregou o Corão ao Profeta, tinha menos conhecimento do Ser Infinito, da misericórdia infinita, da sabedoria e poder infinitos que Deus é, do que o próprio Mohammad, é inverter a ordem das coisas, como se fosse o Profeta quem visitou o anjo Gabriel para instruí-lo nas coisas de Deus.
É evidente que os anjos estão plenamente cientes da infinita bondade, sabedoria e poder de Deus. Pois se os anjos se comunicam com os homens é porque os percebem, e se os percebem é porque percebem a criação como um todo, e se percebem a criação sabem distinguir seus limites finitos temporais da eternidade infinita de Deus. A menos que queiramos imaginar que os anjos são cegos e ignorantes, coisa que me parece herética, vil e estúpida.
Por fim, afirmar como o senhor que: “O mal tem uma função em relação ao ser humano que não tem como ser preenchida de outro meio”, é literalmente fazer papel de advogado do diabo. Pior ainda, é julgar a situação humana de um modo tão falso que dá ganho de causa ao fedorento e maldito Satanás. O senhor tenta justificar uma coisa que não tem justificativa. Belzebu, Lúcifer, Satã (pouco importa o nome que se dê a esse cão que só merece ser apedrejado) cometeu um ato de sedução que levou à perversão do gênero humano. O que o Diabo fez com a humanidade, ou melhor, o que a humanidade fez de si mesma (porca miséria!) por causa das MENTIRAS de Lúcifer, não se justifica de maneira alguma. O mal moral, que nada mais é que impiedade e ingratidão para com Deus, não tem função nenhuma no plano divino (é absurdo imaginar por sequer dois segundos que Deus deliberadamente planejou a Queda de Adão e Eva), Lúcifer não é um sócio secreto que faz aquilo que Deus quer por baixo dos panos, mas apenas uma criatura que escolheu, movida por soberba, inveja e desprezo da misericórdia divina, ser o “inimigo declarado dos homens” (Alcorão, 12, 5).
Saúde e Paz professor. Que Deus te ilumine. Gosto muito das suas aulas, mas sinto a necessidade de corrigir aquilo que julgo falso. Se eu estiver errado, que Deus me perdõe.
26 de abril de 2010 às 14:37
Leandro,
Tudo isso é semântica. Considere duas coisas: não dá pra falar do absoluto, apenas de seus aspectos e com uma linguagem muito precária; e a verdade se dá na consciência humana, não na simples correspondência de proposições entre si. Assim, como exemplo, dizer ‘o bem contém o mal’ ou ‘não existe mal’ podem significar a mesma coisa ou não.